Cada coisa a seu tempo tem seu tempo!
Num destes dias invernosos, imputável ao tempo, desconsolado ainda mais pela desolação parental, desfolhei um livro, no vendaval do acaso, do ilustre nobel Saramago, eloquente nas ideias, de arreigada índole atlântica, também ele José como o dia a que aludia a santidade daquele exultado pai!
Naquelas linhas parcas, escritas elas também num dia invernal de janeiro, falava sobre a relevância que conferia ao precoce estudo e admirável mundo que se abria no recato da leitura, nomeadamente ao impacto que uns quantos versos de Ricardo Reis, que se lhe “impuseram como uma divisa, um ponto de honra, uma regra imperativa que iria ser meu dever para todo o sempre, cumprir e acatar. Eram eles estes:”
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive!
Depois continua a dissertação dizendo que, desde então, a tais palavras “Fiz o que pude para não ficar atrás do que se me ordenava. Depois compreendi que não puderam chegar as forças a tanto, que só raros deveriam ser capazes de ser tudo em cada coisa. O próprio Pessoa, que foi grande mesmo, ainda que de outra forma de grandeza, nunca foi inteiro… Logo… não tive outro remédio que tornar-me humano!”.

Foi então, na procura mais sublime que se me impeliu para averiguar mais sobre este, também ele conceituado vulto da literatura e sociedade lusa, que encontrei outro poema, também ele suporte para aquietar parte da tristeza que me assolava pelo tempo e principalmente pela partida materna, ajudando a aguçar os pensamentos sobre a vida nesta humilde missão terrena:
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no Inverno os arvoredos,
Nem pela Primavera
Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,
E casuais, interrompidas sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do sol).
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.
Naquelas linhas parcas, escritas elas também num dia invernal de janeiro, falava sobre a relevância que conferia ao precoce estudo e admirável mundo que se abria no recato da leitura, nomeadamente ao impacto que uns quantos versos de Ricardo Reis, que se lhe “impuseram como uma divisa, um ponto de honra, uma regra imperativa que iria ser meu dever para todo o sempre, cumprir e acatar. Eram eles estes:”
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive!
Depois continua a dissertação dizendo que, desde então, a tais palavras “Fiz o que pude para não ficar atrás do que se me ordenava. Depois compreendi que não puderam chegar as forças a tanto, que só raros deveriam ser capazes de ser tudo em cada coisa. O próprio Pessoa, que foi grande mesmo, ainda que de outra forma de grandeza, nunca foi inteiro… Logo… não tive outro remédio que tornar-me humano!”.

Foi então, na procura mais sublime que se me impeliu para averiguar mais sobre este, também ele conceituado vulto da literatura e sociedade lusa, que encontrei outro poema, também ele suporte para aquietar parte da tristeza que me assolava pelo tempo e principalmente pela partida materna, ajudando a aguçar os pensamentos sobre a vida nesta humilde missão terrena:
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no Inverno os arvoredos,
Nem pela Primavera
Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,
E casuais, interrompidas sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do sol).
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.
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